segunda-feira, outubro 06, 2008

Eventual horta urbana (em escrita)

Como estámos no início de uma nova depressao económica, e se os anos trinta se repetissem, teremos que voltar à terra.
Este pode ser o possível projecto de uma horta urbana para sustentar uma família, usando agricultura biológica, sistemas de mulching (isto é, restos orgânicos para fazer cobertura do solo; pode-se usar restos de comida, composto, folhas, aparas de relva, palha e até cartao) e lagos artificiais (onde a água da chuva é recolhida) ou depressoes cavadas no solo (onde a água escorre e se acumula para criar um lencol de água subterraneo no local das culturas). Estrume pode ser aplicado para aumentar a fertilidade do solo. No entanto convém referir que o lavrar e movimentar do solo reduz a sua fertilidade, portanto convém evitar destruir a estrutura já nele existente, cavando por exemplo muito superficialmente, ou colocando sucessivamente camadas de mulching que formam depois novo solo (ver http://en.wikipedia.org/wiki/No-dig_gardening).

Penso que as variedades tradicionais (ainda dispersas por aí por muita gente mais idosa das aldeias) sao as mais adaptaveis (e até gostosas!), em vez da opcao de variedades à venda em supermercados. Já para nao falar evitar as sementes de variedades híbridas porque sao inferteis e nao permitem a recolha de sementes que permite perpetuar a espécie (a prática de guardar e armazenar sementes é altamente aconselhável!). Nem vou sequer entrar em consideracao com os transgénicos, esses representando um gravíssimo perigo (nao vou entrar em detalhes mas visto ter formacao universitária em biologia molecular poderei explicar isso em detalhe caso queiram)

Quanto a espécies de interesse, apontaria leguminosas como grao, feijao, feijoca (a planta dura mais que um ano!), e lentilhas (ocupam pouco espaco e produzem muita proteína).
Raízes como batata, cenoura e nabo (alternativas: pastinaca, batata doce, e existem ainda outros tubérculos mais raros: existem desde os climas mais tropicais até aos de climas mais frios), os espargos (perenes e muito resistentes)
Outras espécies: espinafres, beringelas no verao, uma escolha muito diversa de cereais (incluindo espécies resistentes como o amaranto, a quinoa, o sorgo, o centeio, o millet...)
E ainda há outras espécies perenes e comestíveis que irei escrever em breve.



Espaco de 30 x 30 m, pequeno talhao

2 comentários:

Pedro Silva disse...

Olá!

Gostei muito de ler este artigo. Está simples e objectivo.
Acabei por ter a ousadia de colocar o artigo no forum de Ecoaldeias que criei no site da Comunidade Espiritual:
http://www.comunidade-espiritual.com/groups/?id=89
Mas deixei a referência ao blog de onde o recolhi. Em todo o caso, depois diz-me se por ti está OK.

Fiquei interessado em experimentar a feijoca e as lentilhas.
Actualmente tenho um horta nas Caldas da Rainha (ainda um pouco longe de Lisboa, local onde moro).
Qual achas que são os meses adequados para semear a feijoca e as lentilhas?

Um abraço,
Pedro Mandana

Paulo disse...

A minha companheira já cresceu muitas feijocas na região centro, ela semeia depois das últimas geadas, em Março.

Eu experimentei crescer lentilhas e é mais ou menos o mesmo, semeei em Fevereiro mas era numa varanda abrigada em vasos. Creio que em terreno aberto o ideal seria a partir de Março ou fins de Março.

Podes ver fotos do cultivo que fiz das lentilhas em http://cantinhoverde.blogspot.com/2007/05/fotos-maio-2007.html

Deram muito bem, podem ser semeadas juntas e tal como as ervilhas têm que ter estacas. O único senão é após colheres as lentilhas retirá-las das vagens, dá bastante trabalho, à mão! Mas existe uma técnica para as colher (semelhante à do trigo) em que deixas as plantas a secar ao sol e bates contra uma pedra, depois as vagens saltam e podes com uma peneira separar as lentilhas.

Podes divulgar o conteúdo do blogue à vontade :)
Talvez quem saiba num futuro próximo possamos conhecer a tua horta. De momento estamos a viver no estrangeiro e só devemos voltar a Portugal para o próximo ano.
A ideia do site da comunidade espiritual parece ser muito interessante...
Um abraço e bons cultivos,